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POR TRÁS DE ARRANJOS E BUQUÊS, FLORISTAS CONCILIAM TRADIÇÃO, AFETO E OS DESAFIOS DO MERCADO

No Dia do Florista, celebrado nesta quarta-feira (02/09), histórias de profissionais do setor contam como a atividade se mantém presente no cotidiano com tradição, desafios e o trabalho que existe por trás de cada flor.

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Foto: Thiago Lontra | Texto: Larissa Bispo

02/09 – Antes de acompanhar um pedido de desculpas ou chegar à casa de alguém em uma data especial, uma flor passa por mãos que entendem o significado por trás do gesto. Para Caio Araújo, de 28 anos, esse trabalho começou antes mesmo de assumir a empresa da família em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Há 12 anos no setor, o empresário cresceu dentro de uma floricultura e hoje representa a terceira geração de floristas da família. “A história começou com meu avô, depois passou para o meu pai e hoje eu dou continuidade a esse trabalho. São aproximadamente 57 anos de história da nossa empresa, uma tradição familiar que tenho muito orgulho de manter e, ao mesmo tempo, continuar construindo”, relata Caio.

A trajetória de Caio atravessa gerações e também faz parte de um mercado que continua se movimentando. Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), esse setor deve avançar 6% em 2026. No Rio de Janeiro, o mercado de flores também aparece na abertura de novos negócios. Dados do Observatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), só em 2025, já apontaram 66,7% de taxa de criação na atividade de cultivo de flores e plantas ornamentais.

As datas comemorativas ainda continuam movimentando o setor, mas, segundo Caio, as flores vêm ganhando espaço em momentos que não estão marcados no calendário. “Hoje, muitas pessoas compram flores simplesmente para demonstrar carinho, agradecer alguém, alegrar a casa ou até mesmo se presentear. Acho essa mudança interessante porque mostra que as flores deixaram de ser vistas apenas como um presente para uma ocasião específica e passaram a fazer parte da rotina das pessoas”, celebra.

Detalhes que os clientes não veem

Por trás da delicadeza dos arranjos, existe uma operação que pouco aparece para quem está do outro lado do balcão: aluguel, funcionários, entrega, aquisição de mercadorias e outros custos que fazem parte da rotina de quem transforma flores em negócio. Além dos desafios cotidianos, o empreendedor da Baixada Fluminense também explica que o setor convive com particularidades.

“O preço das flores pode variar bastante de acordo com a época do ano, a disponibilidade e a demanda. Em datas comemorativas, por exemplo, os custos das flores costumam aumentar significativamente, o que acaba impactando diretamente a operação da floricultura. É uma atividade que pode ser rentável, mas exige muito planejamento e conhecimento. Trabalhar com flores significa lidar com um produto perecível, então existe um cuidado para equilibrar estoque, demanda e desperdício”, pontua Caio.

Antes de chegar às mãos dos clientes, a flor atravessa diversos cuidados, passando pela escolha e a chegada delas na floricultura. Caio também lembra que existe um trabalho por trás da montagem, como escolha das flores, combinação das espécies e cores: “É preciso observar a qualidade, fazer a hidratação adequada, realizar a limpeza e retirar folhas ou partes que possam comprometer a conservação. Também é muito importante manter as flores armazenadas em condições adequadas de temperatura e umidade e fazer o manejo correto de acordo com cada espécie. Por isso, vários fatores precisam ser considerados para chegar a um preço justo e sustentável para o negócio”.

Flores e plantas ornamentais na legislação

Atravessando as histórias individuais, o trabalho com flores também está inserido na Política Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável, Agroecologia e de Produção Orgânica no Estado do Rio, determinada pela Lei 8.625/19, que contempla a produção de plantas ornamentais no conceito de agricultura urbana e periurbana. Em 2021, a legislação acrescentou a criação de linhas de crédito de subsídio e incentivo, com taxas de juros reduzidas e prazos diferenciados. A medida também inclui o intermédio de instituições financeiras conveniadas para que esse fomento aconteça.

No cotidiano das floriculturas, esse mercado também ganha novas perspectivas e ocasiões de consumo. Caio Cezar Nunes trabalha há três anos na floricultura da irmã, localizada na região da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro. No dia a dia, ele percebe uma procura das empresas que gostam de presentear seus funcionários com flores, além do público masculino que ainda continua presente. “A procura por flores aumentou bastante. Às vezes, os clientes até levam na esportiva dizendo que não existem mais homens como antigamente, mas no dia a dia esse público ainda comparece”, conta.

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